Tuesday, April 24, 2012

ALMEIRIM (1948-1981)

O navio de carga geral e passageiros ALMEIRIM foi o segundo de uma série de seis unidades de 9.500 TDW e lotação para 12 passageiros construídas em Sunderland, Inglaterra, para a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, a dinâmica empresa de transportes marítimos associada ao Grupo CUF e constituída em 1919 por Alfredo da Silva.
A Sociedade Geral era na época a mais importante das companhias de navegação portuguesas, tendo adquirido após a segunda guerra mundial vinte e dois navios, dos quais vinte novos ao abrigo do plano de renovação da frota de comércio portuguesa que viria a ficar conhecido por Despacho 100.
O ALMEIRIM foi entregue à SG em 1948, um ano particularmente feliz no que toca à marinha mercante nacional, em resultado da incorporação nas diversas frotas de um elevado número de unidades novas, mais exactamente 22 navios. A chegada dos navios novos a Lisboa era sempre uma festa, com direito a notícias destacadas na imprensa e visita oficial do Ministro da Marinha Américo Tomás e muitas vezes, dos Presidentes da República e do Conselho de Ministros, respectivamente Óscar Fragoso Carmona e António de Oliveira Salazar, e das mais altas individualidades da época.
Do período de expansão da marinha mercante no tempo do Despacho 100 ficou a ideia errada de se ter tratado de uma obra de regime do Estado Novo e inclusive terá sido essa ligação do Poder no tempo de Salazar com a marinha de comércio que depois alimentou no regime da terceira república pós-1974 um certo ódio ao sector que na prática conduziu a um trágico processo de desmaritimização. Nada de mais errado, os pressupostos do Despacho 100 tinham em consideração o desenvolvimento da economia nacional, de que a marinha mercante era então um elemento importante, e procuravam evitar a repetição das situações dramáticas vividas por Portugal durante a guerra, em especial de 1940 a 1945, quando deixou de ser possível recorrer a navios mercantes estrangeiros e a nossa frota se mostrou insuficiente. Na época, tal como hoje, não tínhamos um único petroleiro e a frota de transporte de carga e de passageiros era velha e reduzida em dimensão, apesar de maior do que a actual em termos relativos.
A atitude céptica dos portugueses em relação ao mar não é apanágio da actualidade e mesmo no tempo do ministro Américo Tomás houve resistências ao desenvolvimento da marinha mercante e nunca se conseguiu o objectivo de assegurar 60 por cento das nossas necessidades de transporte marítimo com frota própria, apesar de se ter chegado aos 40 por cento.
Voltando ao cargueiro ALMEIRIM resta acrescentar que foi um belo navio e um importante instrumento económico: navegou durante 32 anos, sempre com o mesmo nome e bandeira e infelizmente não foi substituído quando em 1980 se concretizou a sua venda para sucata.
Neste processo lento de abate e redução da marinha mercante nacional, em mais de 80 por cento, perderam-se em Portugal 50.000 postos de trabalho, arruinou-se a indústria naval e gastaram-se rios de dinheiro em afretamentos de navios estrangeiros, num processo não contabilizado oficialmente mas que se pode cifrar em mais de 500 milhões de euros pagos anualmente ao estrangeiro, situação que continua a observar-se sem que se procure minimizar a situação, quer por parte do Estado, quer por intervenção de privados. Oxalá Portugal não volte a passar fome literalmente por não dispor de marinha mercante.

ALMEIRIM (1948-1981)

Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1947-1948. Nº IMO(Lloyd's Register): 5012058. Nº oficial: H 364; Indicativo de chamada: CSGU. Arqueação bruta: 5.289 toneladas; Arqueação líquida: 3.136 toneladas; Porte bruto: 9.588 toneladas; Deslocamento máximo: 13.118 toneladas; Deslocamento leve: 3.530 toneladas. Capacidade de carga: 4 porões servidos por 5 escotilhas, com 15.370 m3. Comprimento ff.: 137,81 m; Comprimento pp.: 132,08 m; Boca: 17,95 m; Pontal: 8,14 m; Calado: 7,98 m. Máquina: 1 motor diesel Doxford, com 4.250 bhp a 108 rpm; consumo diário de 18 toneladas de “Diesel oil”. 1 hélice de 4 pás. Velocidade: 13,00 nós (13.75 nós vel. máx.). Passageiros: 12 em 6 camarotes. Tripulantes: 37. Navios gémeos: ALCOBAÇA, ALENQUER, AMBRIZETE, ANDULO e ARRAIOLOS. Custo: £ 379.973, cerca de 39.543.000$00.

O ALMEIRIM foi construído em Sunderland, Inglaterra, pelo estaleiro Bartram & Sons, Ltd. (construção nº 319), para a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, de Lisboa. O assentamento da quilha deu-se a 22-07-1947 e o ALMEIRIM foi lançado à água a 12-02-1948 e entregue à S.G. a 16-07-1948, tendo entrado em Lisboa pela primeira vez a 25-07, procedente de Sunderland. Registado no porto de Lisboa a 11-08-1948, de onde largou para a primeira viagem a 20-08 com destino ao Chile (Lisboa, Curacao, Balboa, Tocopilla). Utilizado pela Sociedade Geral principalmente no mercado internacional de fretamentos (tramping), e na carreira Norte da Europa – Angola. Vendido a 30-12-1971 à Companhia Nacional de Navegação, Lisboa, por 11.680.000$00 e registado na capitania do porto de Lisboa a 3-01-1972. Continuou a operar em especial na carreira de Angola e foi o último dos 6 “Ás” a ser abatido, tendo sido autorizada a venda do ALMEIRIM a 24-12-1979, por Despacho de “Sua Excelência o Secretário de Estado da Marinha Mercante”. Completou a última viagem em Lisboa a 27-01-1980 e foi vendido a 18-04-1980 pela quantia de 18.150.000$00 a Baptista & Irmãos, Lda, de Sacavém, a quem foi entregue em Lisboa a 21-04-1980. Registado na Capitania do porto de Lisboa a 22-05-1980 pela firma Baptista & Irmãos, Lda., para “efeitos de propriedade e posterior demolição” sendo desmantelado no cais novo de Alhos Vedros, terminando os trabalhos de desmantelamento a 8-04-1981, pelo que o registo final do n/m ALMEIRIM foi cancelado a 5-05-1981.
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MONTE BRASIL (1948-1981)

Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1947-1948. Nº oficial: H-365; Indicativo de chamada: CSLP. Arqueação bruta: 2.394 toneladas; Arqueação líquida: 1.303 toneladas; Porte bruto: 3.901 toneladas; Deslocamento máximo: 5.580 toneladas; Deslocamento leve: 2.004 toneladas. Capacidade de carga: 4 porões servidos por 4 escotilhas, com 6.410 m3, incluindo 134 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 106,44 m; Comprimento pp.: 100,44 m; Boca: 14,58 m; Pontal: 5,11 m; Calado: 5,88 m. Máquina: 1 motor diesel Sulzer modelo 7SDS60, nº 28869, de 7 cilindros, com 3.400 bhp a 148 rpm; 1 hélice de 4 pás. Velocidade: 14 nós (16 nós vel. máx.). Passageiros: 12 em 6 camarotes. Tripulantes: 30. Navio gémeo: RIBEIRA GRANDE. Custo: 36.356.000$00.

O MONTE BRASIL foi construído no estaleiro A. Vuijk & Zonen, em Capelle a/d Yssel, Holanda, (construção nº. 709) para a Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos segundo projecto do Eng. Vasco Taborda Ferreira. De início foi-lhe atribuído o nome FAIAL. As formas de querena foram estudadas e aperfeiçoadas no tanque de El Pardo, da Sociedad Espanola de Construccion Naval, de Madrid. Em 21-08-1947 foi assente a quilha na carreira de construção, o navio foi lançado à água a 8-04-1948 e entregue em 17-08-1948. Saiu de Roterdão a 27-08-1948 na viagem de entrega para Leixões (30-08 a 6-09-1948) e Lisboa onde entrou pela primeira vez a 7-09. Foi seu primeiro comandante o Capitão da Marinha Mercante Amadeu Calisto Ruivo. Registado em Lisboa a 24-09-1948 “para utilização no comércio marítimo, longo curso, transporte de carga.” A 27-09-1948 foi visitado pelo Ministro da Marinha e outras entidades oficiais. Destinado à carreira regular Portugal – Madeira – Açores - Estados Unidos da América (Costa Leste), saiu de Lisboa na viagem inaugural a 1-10-1948 para Setúbal (1 a 2-10), Leixões (3 a 6-10), Funchal (8-10), Ponta Delgada (10 a 12-10), Angra do Heroísmo (13 a 14-10) e Nova Iorque (23-10-1948). Registo transferido para Ponta Delgada a 11-10-1948. Nº oficial: 940. Registo inicial em Lisboa cancelado a 26-10-1948. Primeiro comandante: Capitão da Marinha Mercante Amadeu Ruivo. Em 8-11-1959, declarou-se um incêndio nos porões 1 e 2 do MONTE BRASIL com o navio em viagem do Funchal para Ponta Delgada e Nova Iorque, a 115 milhas da Madeira. Os 9 passageiros foram transferidos para o navio norueguês HARTUR STEVE que os desembarcou em Tenerife a 11-11. Prestaram assistência ao MONTE BRASIL os navios de guerra NRP VOUGA, NRP SÃO VICENTE e NRP SÃO NICOLAU e o salvadego holandês ZWART ZEE. Dominado o incêndio o navio regressou a Lisboa a 16-11-1959. O seu comandante, capitão Cunha da Silveira foi condecorado a 10-12-1959 pelo ministro da Marinha pela sua acção no salvamento do MONTE BRASIL. Utilizado principalmente na linha dos EUA até 1972, tendo concluído em Lisboa a 15-10-1972 a última viagem à América do Norte, após o que serviu na carreira dos Açores. Em 11-12-1972 foi transferido para a Empresa Insulana de Navegação que na mesma data absorveu a CNCA. Registado na Capitania do porto de Lisboa pela EIN a 28-03-1973 (Nº oficial: I-422), sendo o registo anterior em Ponta Delgada cancelado a 16-04-1973. Fez uma viagem a Moçambique em Dezembro de 1972 e Janeiro de 1973, após o que serviu em exclusiva na carreira dos Açores. Em 4-02-1974 foi transferido para a CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, na sequência da fusão entre a Empresa Insulana de Navegação e a Companhia Colonial de Navegação, sendo-lhe atribuído o valor de 12.000 contos. Registado em Lisboa a favor da CTM a 14-05-1974 (Nº oficial: I-449), e utilizado na carreira Continente – Açores. Completou em Lisboa a última viagem a 3-09-1980, permanecendo imobilizado no Mar da Palha. A venda do MONTE BRASIL foi autorizada a 28-10-1981 por despacho do Secretário de Estado dos Transportes Exteriores e Comunicações. Vendido em 18-11-1981 por 7.900.000$00 ao sucateiro Baptista & Irmãos, Lda., que procedeu ao registo do navio em Lisboa a 2-12-1981 “para efeitos de propriedade e posterior demolição” (Nº oficial: I-442), tendo sido desmantelado em Alhos Vedros em 1982. Registo final cancelado a 3-12-1982 por o MONTE BRASIL ter sido demolido no Cais Novo de Alhos Vedros. 
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Tuesday, January 31, 2012

AMBOIM (1948-1974)


O navio de carga-geral AMBOIM foi o terceiro de quatro cargueiros novos de cerca de 9.000 toneladas de porte bruto adquiridos pela Companhia Colonial de Navegação (CCN) em 1947 e 1948 ao abrigo do programa de renovação da frota de comércio portuguesa conhecido por Despacho 100.
Era exactamente igual ao GANDA, a que nos referimos no artigo anterior e foi construído também em Burntisland. Apresentava castelo de proa, dois mastros e uma chaminé baixa e comprida de navio-motor. Construído para a linha de África, além de carga geral transportava passageiros, dispondo de 10 camarotes com casa de banho privativa, um luxo para a época. Em muitas das viagens transportou nas cobertas indígenas moçambicanos contratados para trabalharem nas roças de São Tomé.
Com a fusão da Colonial com a Insulana em Fevereiro de 1974, ainda chegou a integrar a frota da CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, a nova empresa resultante da união das anteriores em 1974, mas perdeu-se por encalhe em Cascais em Novembro desse ano, devido ao mau tempo e nevoeiro, quando saia de Lisboa para o Mediterrâneo numa viagem que não completou. Durante a última estadia no Tejo foi pintado com as cores da CTM, isto é casco azul escuro, chaminé laranja com duas riscas azuis e uma amarela no meio.
O nome AMBOIM honrava a Companhia do Amboim, uma das três empresas que a 3 de Julho de 1922 constituíram a Companhia Colonial de Navegação no Lobito. O AMBOIM de 1948 foi o segundo navio com este nome na frota da CCN, sucedendo ao AMBOIM original, um navio misto de passageiros e carga com 3.611 TAB, construído em Hamburgo no ano de 1898 para a companhia HAPAG (Hamburg Amerika Linie), com o nome SARDINIA. Em 1914 refugiou-se nos Açores onde foi requisitado pelo Governo Português em Fevereiro de 1916. Serviu então os Transportes Maritímos do Estado com o nome S. JORGE até 1925, quando foi comprado pela Colonial, navegando com o nome AMBOIM até ser desmantelado na Holanda em Janeiro de 1933.
Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1947-1948. Nº oficial: H 356; Indicativo de chamada: CSBY. Arqueação bruta: 5.895 toneladas; Arqueação líquida: 3.311 toneladas; Porte bruto: 9.419 toneladas; Deslocamento máximo: 13.114 toneladas; Deslocamento leve: 3.696 toneladas. Capacidade de carga: 5 porões servidos por 5 escotilhas, com 15.122 m3. Comprimento ff.: 135,00 m; Comprimento pp.: 128,75 m; Boca: 17,98 m; Pontal: 7,79 m; Calado: 8,21 m. Máquina: 1 motor diesel Doxford de 4 cilindros, com 5.074 bhp; 1 hélice. Velocidade: 14,00 nós (15.40 nós vel. máx.). Passageiros: 12 em 10 camarotes. Tripulantes: 32. Navio gémeo: GANDA. Custo: £415.150, cerca de 41.793.144$27.
O AMBOIM foi construído no estaleiro The Burntisland Shipbuilding Co. Ltd., em Burntisland, Escócia, (construção nº 314), por encomenda da Companhia Colonial de Navegação em 1946. A quilha foi assente a 25-02-1947 e o navio foi lançado à água em 12-12-1947 sendo madrinha a Srª. Dª. Maria Luísa Fontes Pereira de Melo Vieira. Entregue à CCN em Burnistland a 21-05-1948, o AMBOIM saiu no dia seguinte para Cardiff (25 a 29-05) para carregar carvão para o Tejo, onde entrou pela primeira vez a 1-06-1948. Registado em Lisboa a 3-06, saiu em 5-06 na primeira viagem a Galveston, onde carregou cereais para Leixões e Lisboa. A segunda viagem, foi igualmente aos EUA (Lisboa 3-08, New Orleans (16 a 28-08), Leixões (11 a 17-09), Lisboa 18-09). Na terceira viagem o AMBOIM foi ao Canadá. A primeira viagem na carreira de África teve início em Lisboa a 21-07-1949, seguindo a bordo carga e 32 passageiros, dos quais 16 pescadores para Luanda, Lobito e Lourenço Marques. Fez escalas em Luanda, Lobito, Moçamedes, Lourenço Marques, Beira, Moçambique e Porto Amélia regressando a Lisboa via Lourenço Marques, Cape Town, Moçamedes, Lobito e Luanda. Operou principalmente nas linhas de África Ocidental e Oriental. Em 1972 passou a escalar regularmente portos do Mediterrâneo no prolongamento da carreira da África Oriental e a 4-02-1974 foi transferido para a CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, por fusão da CCN com a Insulana. Em 11-1974 foi pintado com as cores da CTM, largando de Lisboa a 20-11-74 para Alicante na que seria a sua última viagem, pois ao desembarcar o piloto na baía de Cascais, aproximou-se demasiado de terra sob denso nevoeiro e perdeu-se por encalhe junto ao molhe do Clube Naval. Posteriormente, a 22-01-1975 registou-se um incêndio a bordo que só seria extinto no dia seguinte. O navio foi declarado perda total construtiva e entregue à entidade seguradora, sendo vendido à firma João Luís Russo & Filhos que procedeu ao desmantelamento no local. Registo cancelado a 24-03-1977 após demolição.
Nota: os processos de arqueação dos navios foram sofrendo alterações ao longo dos anos. Nas fichas técnicas das unidades construídas ao abrigo do Despacho 100 entre 1946 e 1955, seguiam-se as regras de arqueação britânicas, sendo os valores das respectivas arqueações bruta e líquida apresentados em toneladas Moorson.

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Tuesday, March 1, 2011

GANDA (1948-1981)


Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1946-1948. Nº Lloyd's: 5125893. Nº oficial: H 354; Indicativo de chamada: CSEC. Arqueação bruta: 5.895 toneladas; Arqueação líquida: 3.311 toneladas; Porte bruto: 9.418 toneladas; Deslocamento máximo: 13.114 toneladas; Deslocamento leve: 3.696 toneladas. Capacidade de carga: 5 porões servidos por 5 escotilhas, com 15.122 m3. Comprimento ff.: 135,00 m; Comprimento pp.: 128,75 m; Boca: 17,98 m; Pontal: 7,79 m; Calado: 8,21 m. Máquina: 1 motor diesel Doxford de 4 cilindros, com 5.074 bhp; 1 hélice de 4 pás fixas. Velocidade: 14,00 nós (15.40 nós vel. máx.). Passageiros: 12 em 10 camarotes. Tripulantes: 32. Navio gémeo: AMBOIM. Custo: £405.750 libras, cerca de 41.104.000$00.

O GANDA foi construído no estaleiro The Burntisland Shipbuilding Co. Ltd., em Burntisland, Escócia, (construção nº 313), tendo sido encomendado pela Companhia Colonial de Navegação em 1946. A quilha foi assente a 14-12-1946 e o navio foi lançado à água em 30-09-1947 (Madrinha Dª. Inês de Freitas Menezes). O aprestamento foi concluído em 02-1948 e nas provas de mar efectuadas a 16-02 o GANDA alcançou a velocidade de 16 nós. Entregue à CCN a 26-02-1948, o navio seguiu de Burntisland para o canal de Bristol indo carregar carvão a Newport, largando a 9-03 para Lisboa onde entrou pela primeira vez a 12-03-1948. Registado em Lisboa a 21-04, saiu no dia seguinte para Leixões, Gloucester, New York, Norfolk e Filadélfia. A 9-06 iniciou uma segunda viagem aos EUA e só entrou na carreira de África Oriental a 26-07 na terceira viagem. Fez também viagens apenas à costa ocidental, com escalas nos portos de Angola e em São Tomé. Em 1972 passou a escalar regularmente portos do Mediterrâneo no prolongamento da carreira da África Oriental e a 4-02-1974 passou a integrar a frota da CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos sendo-lhe atribuído o valor de 41.103.695$65. Registado como propriedade da CTM em Lisboa a 10-07-1974, com novo nº. Oficial I – 471, mantendo o indicativo de chamada. Em 1975 foi pintado com as cores da CTM e casco azul-escuro com linha de água verde; em 1979 o casco passou a ser preto com linha de água a vermelho. Nos últimos anos foi empregue na linha da América do Sul e fez diversas viagens aos Açores e Madeira. Entrou em Lisboa pela última vez a 1-05-1980 e foi desarmado, permanecendo fundeado no Mar da Palha até ser vendido à firma Baptista & Irmãos por 12.800.000$00, a 18-11-1981, tendo esta firma recebido autorização do Governo para a compra por Despacho de "Sua Excelencia o Sr. Secretário de Estado dos Transportes Exteriores e Comunicações de 28-10-1981." O GANDA foi registado uma última vez na capitania do porto de Lisboa a 30-11-1981 a favor da firma Baptista & Irmãos "para efeitos de propriedade e posterior demolição." Procedeu-se de imediato ao desmantelado no cais novo do estaleiro de Alhos Vedros, concluindo-se os trabalhos a 3-05-1982, conforme verificado pelo cabo do mar da delegação marítima do Barreiro, pelo que se cancelou o registo em 1982.

ALCOBAÇA (1948-1979)

Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1947-1948. Nº Lloyd's (actual nº IMO): 5009245. Nº oficial: H 357; Indicativo de chamada: CSEQ. Arqueação bruta: 5.289 toneladas; Arqueação líquida: 3.136 toneladas; Porte bruto: 9.588 toneladas; Deslocamento máximo: 13.118 toneladas; Deslocamento leve: 3.530 toneladas. Capacidade de carga: 4 porões servidos por 5 escotilhas, com 15.370 m3. Comprimento ff.: 137,81 m; Comprimento pp.: 132,08 m; Boca: 17,95 m; Pontal: 8,14 m; Calado: 7,98 m. Máquina: 1 motor diesel de 4 cilindros a 4 tempos, marca Doxford, nº 3143, com a potência de 4.250 bhp a 108 rpm; 1 hélice de 4 pás fixas. Velocidade: 13,00 nós (13.75 nós vel. máx.). Passageiros: 12 em 6 camarotes. Tripulantes: 37. Navios gémeos: ALENQUER, ALMEIRIM, AMBRIZETE, ANDULO e ARRAIOLOS. Custo: £ 376.390, cerca de 39.171.000$00.

O ALCOBAÇA foi construído em Sunderland, Inglaterra, pelo estaleiro Bartram & Sons, Ltd. (construção nº 318), para a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, de Lisboa. O assentamento da quilha deu-se a 1-05-1947 e o ALCOBAÇA foi lançado à água a 28-11-1947, tendo sido madrinha Dª. Amélia de Mello, a filha única de Alfredo da Silva, fundador da SG. Foi entregue ao armador em Sunderland a 3-05-1948, e entrou no Tejo pela primeira vez a 8-05. Registado em Lisboa a 12-06-1948, tendo na mesma data sido visitado pelo Presidente da Republica, General Carmona, entidades oficiais e 700 convidados, atracado à estação marítima de Alcântara, juntamente com duas outras novas unidades da S.G. acabadas de construir, o BRAGANÇA e o CONCEIÇÃO MARIA. Saiu a 14-06 na viagem inaugural, a Angola (Lisboa, Leixões, S. Vicente, Príncipe, S. Tomé, Landana, Luanda, Porto Amboim, Novo Redondo, Lobito e Moçamedes), sendo utilizado pela SG na linha de África e em fretamentos internacionais (tramping). Vendido à Companhia Nacional de Navegação (CNN), de Lisboa, por escritura de 30-12-1971, pela quantia de 10.970.000$00. A 3-01-1972 foi registado na capitania do porto de Lisboa a favor da CNN, continuando a operar nas linhas Europa - Angola. Imobilizado em Lisboa a 12-05-1979 e vendido no mês de Setembro seguinte para sucata à firma João Luís Russo & Filhos, Lda., entrou em Setúbal a 8-10-1979, tendo os trabalhos de desmantelamento começado no dia 28-10-1979. Registo cancelado em Lisboa a 9-10-1979.
Legenda das imagens: vista aérea do ALCOBAÇA com as cores da Sociedade Geral, e o mesmo navio atracado à doca de Alcântara em 1976, com as cores da Companhia Nacional de Navegação. (Fotografias da colecção L. M. Correia)

Saturday, August 28, 2010

ANTÓNIO CARLOS (1947-1980)




Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1946-1947. Nº Lloyd's Register: 5020213; Nº oficial: G 493; Indicativo de chamada: CSJO. Arqueação bruta: 1.736 toneladas; Arqueação líquida: 932 toneladas; Porte bruto: 2.974 toneladas; Deslocamento máximo: 4.564 toneladas; Deslocamento leve: 1.590 toneladas. Capacidade de carga: 2 porões servidos por 4 escotilhas, com 5.381 m3. Comprimento ff.: 93,32 m; Comprimento pp.: 86,40 m; Boca: 12,84 m; Pontal: 4,55 m; Calado: 5,64 m. Máquina: 1 motor diesel Burmeister & Wain de 7 cilindros, modelo 750-VF-90, com 2.300 bhp a 160 rpm; 1 hélice de 4 pás. Velocidade: 12 nós (13,25 nós vel. máx.). Passageiros: 8. Tripulantes: 22. Navio gémeo: CONCEIÇÃO MARIA. Custo: 28.763.000$00.

Construído no Estaleiro Naval da A.G.P.L. em Lisboa, pela CUF - Companhia União Fabril (construção nº. 120), para a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes. A quilha do ANTÓNIO CARLOS foi assente a 14-02-1946 e o navio foi lançado à água a 27-07-1946 pelo Presidente da Republica António Óscar Fragoso Carmona. Entregue ao armador a 24-11-1947 e registado em Lisboa a 6-01-1948. Saiu de Lisboa na primeira viagem a 12-01-1948, para Leixões (13-01/ ) e Casablanca (21-01/ ), regressando ao Tejo a 1-02. Em 14-02 largou de Lisboa na primeira viagem a Cabo Verde e à Guiné. A 31-08-1950 teve a arqueação rectificada para 1.814 toneladas de arqueação bruta e 985 toneladas de arqueação líquida. Em 1959 o navio esteve fretado ao ministério do Exército para transporte de tropas e material de guerra (portaria nº 17.299 de 18-08-1959). A 10-12-1969 sofreu uma colisão com o navio holandês BOVENKERK (8.670 TAB/1960) no rio Elba, quando seguia viagem de Lisboa para Hamburgo, registando-se avarias graves a meio navio. Por escritura de 30-12-1971 foi vendido à Companhia Nacional de Navegação, de Lisboa, pela quantia de 3.780.000$00. A 3-01-1972 foi registado na capitania do porto de Lisboa (CPL) como propriedade da Companhia Nacional de Navegação, operando principalmente na carreira de Cabo Verde e Guiné. Por Despacho do Minsistro da Marinha Alm. Pereira Crespo datado de 30-10-1973 alterou o registo, de longo curso para a navegação de cabotagem. Novo registo na capitania do porto de Lisboa a 16-08-1976 permitiu novamente a sua classificação como navio de carga de longo curso, passando nesta data a ter o Nº oficial: I 481. Imobilizado em Lisboa a 28-02-1980, a venda do ANTÓNIO CARLOS foi autorizada pelo Secretário de Estado da Marinha Mercante em Despacho datado de 4-12-1980. Vendido em 23-01-1981 a Baptista & Irmãos, Limitada, pela quantia de 8.750.000$00. Registado uma última vez na CPL a 27-05-1981 por Baptista & Irmãos para efeitos de propriedade e demolição. O ANTÓNIO CARLOS foi desmantelado no Cais Novo de Alhos Vedros em 1981 e o seu registo cancelado a 17-12-1981 na sequência de informação da Delegação Marítima do Barreiro de 15-12 confirmando o desmantelamento do navio em Outubro desse ano.

Foto 1: O navio de carga ANTÓNIO CARLOS fotografado no Norte da Europa com as cores da Sociedade Geral (Imagem da Skyfotos – colecção de L. M. Correia). Foto 2: ANTÓNIO CARLOS atracado na doca de Alcântara em Abril de 1975, com as cores da Companhia Nacional de Navegação (Fotografia de L. M. Correia)

Tuesday, August 24, 2010

FUNCHALENSE 5 (2010- )


Navio motor porta-contentores construído de aço em 2008-10. Nº oficial: 9388390 (IMO); Indicativo de chamada: CSKN. Armador: ENM - Empresa de Navegação Madeirense, Lda., Funchal. Arqueação bruta: 7.580 toneladas; Arqueação líquida: 3.553 toneladas; Porte bruto: 8.700 toneladas; Deslocamento leve: 3.870 toneladas / máximo: 12.210 toneladas. Capacidade de carga: 3 porões; 724 TEUs, (245 TEUs nos porões, 479 TEUs sob o tombadilho) / 443 TEUs 14 Tons. Comprimento ff: 126,87 m; Comprimento pp: 119,54 m; Boca: 20,40 m; Pontal ao pavimento principal: 10,35 m; Calado máximo: 7,75 m. Máquina: 1 motor diesel Caterpillar-MAK modelo 8M43C, de 8 cilindros, com 9.790 BHP (7.202 kW), 1 hélice. Velocidade: 18,5 nós. Tripulantes: 12. Preço: €12.000.000
O porta-contentores FUNCHALENSE 5 foi construído em 2008-2010 no estaleiro Cassens Werft GmbH, em Emden, Alemanha (construção nº 30251), por encomenda do armador alemão Reederei Hinsch GmbH & Co. KG, de Buxtehude, Alemanha, com prazo de entrega previsto para 6-2008. Por se ter registado atraso no acabamento do navio o armador recusou a sua recepção em 7-2008 e este foi acabado em 03-2009 e em 7-2009 efectuou provas de mar com o nome PARITAS-H registado em St. John's, Antígua e Barbuda como propriedade da empresa Neubau 30251 Schiffahrts GmbH, sendo colocado à venda. Na sequência da recusa do navio, o estaleiro Cassens abriu falência e o PARITAS-H, apesar de avaliado em 19 milhões de euros foi posto à venda por um valor substancialmente inferior. A 27-04-2010 foi vendido e entregue à Empresa de Navegação Madeirense, Lda., e registado no Funchal com o nome FUNCHALENSE 5, permanecendo no estaleiro para instalação de 2 gruas de 40 toneladas. A 10-08-2010 saiu de Emden para Leixões (13 a 15-08) sob o comando do Capitão da Marinha Mercante Rui Quental. Iniciou a 15-08 a primeira viagem regular na linha Leixões – Caniçal – Porto Santo – Leixões tendo chegado ao Caniçal pela primeira vez a 16-08. A 17-08-2010 foi inaugurado pelo Presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. Alberto João Jardim, atracado ao cais de Porto Santo. Foi madrinha a menina Rebecca Maria Mankingen Sousa, filha mais nova do armador Dr. Luís Miguel Sousa.