Tuesday, January 31, 2012

AMBOIM (1948-1974)


O navio de carga-geral AMBOIM foi o terceiro de quatro cargueiros novos de cerca de 9.000 toneladas de porte bruto adquiridos pela Companhia Colonial de Navegação (CCN) em 1947 e 1948 ao abrigo do programa de renovação da frota de comércio portuguesa conhecido por Despacho 100.
Era exactamente igual ao GANDA, a que nos referimos no artigo anterior e foi construído também em Burntisland. Apresentava castelo de proa, dois mastros e uma chaminé baixa e comprida de navio-motor. Construído para a linha de África, além de carga geral transportava passageiros, dispondo de 10 camarotes com casa de banho privativa, um luxo para a época. Em muitas das viagens transportou nas cobertas indígenas moçambicanos contratados para trabalharem nas roças de São Tomé.
Com a fusão da Colonial com a Insulana em Fevereiro de 1974, ainda chegou a integrar a frota da CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, a nova empresa resultante da união das anteriores em 1974, mas perdeu-se por encalhe em Cascais em Novembro desse ano, devido ao mau tempo e nevoeiro, quando saia de Lisboa para o Mediterrâneo numa viagem que não completou. Durante a última estadia no Tejo foi pintado com as cores da CTM, isto é casco azul escuro, chaminé laranja com duas riscas azuis e uma amarela no meio.
O nome AMBOIM honrava a Companhia do Amboim, uma das três empresas que a 3 de Julho de 1922 constituíram a Companhia Colonial de Navegação no Lobito. O AMBOIM de 1948 foi o segundo navio com este nome na frota da CCN, sucedendo ao AMBOIM original, um navio misto de passageiros e carga com 3.611 TAB, construído em Hamburgo no ano de 1898 para a companhia HAPAG (Hamburg Amerika Linie), com o nome SARDINIA. Em 1914 refugiou-se nos Açores onde foi requisitado pelo Governo Português em Fevereiro de 1916. Serviu então os Transportes Maritímos do Estado com o nome S. JORGE até 1925, quando foi comprado pela Colonial, navegando com o nome AMBOIM até ser desmantelado na Holanda em Janeiro de 1933.
Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1947-1948. Nº oficial: H 356; Indicativo de chamada: CSBY. Arqueação bruta: 5.895 toneladas; Arqueação líquida: 3.311 toneladas; Porte bruto: 9.419 toneladas; Deslocamento máximo: 13.114 toneladas; Deslocamento leve: 3.696 toneladas. Capacidade de carga: 5 porões servidos por 5 escotilhas, com 15.122 m3. Comprimento ff.: 135,00 m; Comprimento pp.: 128,75 m; Boca: 17,98 m; Pontal: 7,79 m; Calado: 8,21 m. Máquina: 1 motor diesel Doxford de 4 cilindros, com 5.074 bhp; 1 hélice. Velocidade: 14,00 nós (15.40 nós vel. máx.). Passageiros: 12 em 10 camarotes. Tripulantes: 32. Navio gémeo: GANDA. Custo: £415.150, cerca de 41.793.144$27.
O AMBOIM foi construído no estaleiro The Burntisland Shipbuilding Co. Ltd., em Burntisland, Escócia, (construção nº 314), por encomenda da Companhia Colonial de Navegação em 1946. A quilha foi assente a 25-02-1947 e o navio foi lançado à água em 12-12-1947 sendo madrinha a Srª. Dª. Maria Luísa Fontes Pereira de Melo Vieira. Entregue à CCN em Burnistland a 21-05-1948, o AMBOIM saiu no dia seguinte para Cardiff (25 a 29-05) para carregar carvão para o Tejo, onde entrou pela primeira vez a 1-06-1948. Registado em Lisboa a 3-06, saiu em 5-06 na primeira viagem a Galveston, onde carregou cereais para Leixões e Lisboa. A segunda viagem, foi igualmente aos EUA (Lisboa 3-08, New Orleans (16 a 28-08), Leixões (11 a 17-09), Lisboa 18-09). Na terceira viagem o AMBOIM foi ao Canadá. A primeira viagem na carreira de África teve início em Lisboa a 21-07-1949, seguindo a bordo carga e 32 passageiros, dos quais 16 pescadores para Luanda, Lobito e Lourenço Marques. Fez escalas em Luanda, Lobito, Moçamedes, Lourenço Marques, Beira, Moçambique e Porto Amélia regressando a Lisboa via Lourenço Marques, Cape Town, Moçamedes, Lobito e Luanda. Operou principalmente nas linhas de África Ocidental e Oriental. Em 1972 passou a escalar regularmente portos do Mediterrâneo no prolongamento da carreira da África Oriental e a 4-02-1974 foi transferido para a CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, por fusão da CCN com a Insulana. Em 11-1974 foi pintado com as cores da CTM, largando de Lisboa a 20-11-74 para Alicante na que seria a sua última viagem, pois ao desembarcar o piloto na baía de Cascais, aproximou-se demasiado de terra sob denso nevoeiro e perdeu-se por encalhe junto ao molhe do Clube Naval. Posteriormente, a 22-01-1975 registou-se um incêndio a bordo que só seria extinto no dia seguinte. O navio foi declarado perda total construtiva e entregue à entidade seguradora, sendo vendido à firma João Luís Russo & Filhos que procedeu ao desmantelamento no local. Registo cancelado a 24-03-1977 após demolição.
Nota: os processos de arqueação dos navios foram sofrendo alterações ao longo dos anos. Nas fichas técnicas das unidades construídas ao abrigo do Despacho 100 entre 1946 e 1955, seguiam-se as regras de arqueação britânicas, sendo os valores das respectivas arqueações bruta e líquida apresentados em toneladas Moorson.

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Tuesday, March 1, 2011

GANDA (1948-1981)


Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1946-1948. Nº Lloyd's: 5125893. Nº oficial: H 354; Indicativo de chamada: CSEC. Arqueação bruta: 5.895 toneladas; Arqueação líquida: 3.311 toneladas; Porte bruto: 9.418 toneladas; Deslocamento máximo: 13.114 toneladas; Deslocamento leve: 3.696 toneladas. Capacidade de carga: 5 porões servidos por 5 escotilhas, com 15.122 m3. Comprimento ff.: 135,00 m; Comprimento pp.: 128,75 m; Boca: 17,98 m; Pontal: 7,79 m; Calado: 8,21 m. Máquina: 1 motor diesel Doxford de 4 cilindros, com 5.074 bhp; 1 hélice de 4 pás fixas. Velocidade: 14,00 nós (15.40 nós vel. máx.). Passageiros: 12 em 10 camarotes. Tripulantes: 32. Navio gémeo: AMBOIM. Custo: £405.750 libras, cerca de 41.104.000$00.

O GANDA foi construído no estaleiro The Burntisland Shipbuilding Co. Ltd., em Burntisland, Escócia, (construção nº 313), tendo sido encomendado pela Companhia Colonial de Navegação em 1946. A quilha foi assente a 14-12-1946 e o navio foi lançado à água em 30-09-1947 (Madrinha Dª. Inês de Freitas Menezes). O aprestamento foi concluído em 02-1948 e nas provas de mar efectuadas a 16-02 o GANDA alcançou a velocidade de 16 nós. Entregue à CCN a 26-02-1948, o navio seguiu de Burntisland para o canal de Bristol indo carregar carvão a Newport, largando a 9-03 para Lisboa onde entrou pela primeira vez a 12-03-1948. Registado em Lisboa a 21-04, saiu no dia seguinte para Leixões, Gloucester, New York, Norfolk e Filadélfia. A 9-06 iniciou uma segunda viagem aos EUA e só entrou na carreira de África Oriental a 26-07 na terceira viagem. Fez também viagens apenas à costa ocidental, com escalas nos portos de Angola e em São Tomé. Em 1972 passou a escalar regularmente portos do Mediterrâneo no prolongamento da carreira da África Oriental e a 4-02-1974 passou a integrar a frota da CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos sendo-lhe atribuído o valor de 41.103.695$65. Registado como propriedade da CTM em Lisboa a 10-07-1974, com novo nº. Oficial I – 471, mantendo o indicativo de chamada. Em 1975 foi pintado com as cores da CTM e casco azul-escuro com linha de água verde; em 1979 o casco passou a ser preto com linha de água a vermelho. Nos últimos anos foi empregue na linha da América do Sul e fez diversas viagens aos Açores e Madeira. Entrou em Lisboa pela última vez a 1-05-1980 e foi desarmado, permanecendo fundeado no Mar da Palha até ser vendido à firma Baptista & Irmãos por 12.800.000$00, a 18-11-1981, tendo esta firma recebido autorização do Governo para a compra por Despacho de "Sua Excelencia o Sr. Secretário de Estado dos Transportes Exteriores e Comunicações de 28-10-1981." O GANDA foi registado uma última vez na capitania do porto de Lisboa a 30-11-1981 a favor da firma Baptista & Irmãos "para efeitos de propriedade e posterior demolição." Procedeu-se de imediato ao desmantelado no cais novo do estaleiro de Alhos Vedros, concluindo-se os trabalhos a 3-05-1982, conforme verificado pelo cabo do mar da delegação marítima do Barreiro, pelo que se cancelou o registo em 1982.

ALCOBAÇA (1948-1979)

Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1947-1948. Nº Lloyd's (actual nº IMO): 5009245. Nº oficial: H 357; Indicativo de chamada: CSEQ. Arqueação bruta: 5.289 toneladas; Arqueação líquida: 3.136 toneladas; Porte bruto: 9.588 toneladas; Deslocamento máximo: 13.118 toneladas; Deslocamento leve: 3.530 toneladas. Capacidade de carga: 4 porões servidos por 5 escotilhas, com 15.370 m3. Comprimento ff.: 137,81 m; Comprimento pp.: 132,08 m; Boca: 17,95 m; Pontal: 8,14 m; Calado: 7,98 m. Máquina: 1 motor diesel de 4 cilindros a 4 tempos, marca Doxford, nº 3143, com a potência de 4.250 bhp a 108 rpm; 1 hélice de 4 pás fixas. Velocidade: 13,00 nós (13.75 nós vel. máx.). Passageiros: 12 em 6 camarotes. Tripulantes: 37. Navios gémeos: ALENQUER, ALMEIRIM, AMBRIZETE, ANDULO e ARRAIOLOS. Custo: £ 376.390, cerca de 39.171.000$00.

O ALCOBAÇA foi construído em Sunderland, Inglaterra, pelo estaleiro Bartram & Sons, Ltd. (construção nº 318), para a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, de Lisboa. O assentamento da quilha deu-se a 1-05-1947 e o ALCOBAÇA foi lançado à água a 28-11-1947, tendo sido madrinha Dª. Amélia de Mello, a filha única de Alfredo da Silva, fundador da SG. Foi entregue ao armador em Sunderland a 3-05-1948, e entrou no Tejo pela primeira vez a 8-05. Registado em Lisboa a 12-06-1948, tendo na mesma data sido visitado pelo Presidente da Republica, General Carmona, entidades oficiais e 700 convidados, atracado à estação marítima de Alcântara, juntamente com duas outras novas unidades da S.G. acabadas de construir, o BRAGANÇA e o CONCEIÇÃO MARIA. Saiu a 14-06 na viagem inaugural, a Angola (Lisboa, Leixões, S. Vicente, Príncipe, S. Tomé, Landana, Luanda, Porto Amboim, Novo Redondo, Lobito e Moçamedes), sendo utilizado pela SG na linha de África e em fretamentos internacionais (tramping). Vendido à Companhia Nacional de Navegação (CNN), de Lisboa, por escritura de 30-12-1971, pela quantia de 10.970.000$00. A 3-01-1972 foi registado na capitania do porto de Lisboa a favor da CNN, continuando a operar nas linhas Europa - Angola. Imobilizado em Lisboa a 12-05-1979 e vendido no mês de Setembro seguinte para sucata à firma João Luís Russo & Filhos, Lda., entrou em Setúbal a 8-10-1979, tendo os trabalhos de desmantelamento começado no dia 28-10-1979. Registo cancelado em Lisboa a 9-10-1979.
Legenda das imagens: vista aérea do ALCOBAÇA com as cores da Sociedade Geral, e o mesmo navio atracado à doca de Alcântara em 1976, com as cores da Companhia Nacional de Navegação. (Fotografias da colecção L. M. Correia)

Saturday, August 28, 2010

ANTÓNIO CARLOS (1947-1980)




Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1946-1947. Nº Lloyd's Register: 5020213; Nº oficial: G 493; Indicativo de chamada: CSJO. Arqueação bruta: 1.736 toneladas; Arqueação líquida: 932 toneladas; Porte bruto: 2.974 toneladas; Deslocamento máximo: 4.564 toneladas; Deslocamento leve: 1.590 toneladas. Capacidade de carga: 2 porões servidos por 4 escotilhas, com 5.381 m3. Comprimento ff.: 93,32 m; Comprimento pp.: 86,40 m; Boca: 12,84 m; Pontal: 4,55 m; Calado: 5,64 m. Máquina: 1 motor diesel Burmeister & Wain de 7 cilindros, modelo 750-VF-90, com 2.300 bhp a 160 rpm; 1 hélice de 4 pás. Velocidade: 12 nós (13,25 nós vel. máx.). Passageiros: 8. Tripulantes: 22. Navio gémeo: CONCEIÇÃO MARIA. Custo: 28.763.000$00.

Construído no Estaleiro Naval da A.G.P.L. em Lisboa, pela CUF - Companhia União Fabril (construção nº. 120), para a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes. A quilha do ANTÓNIO CARLOS foi assente a 14-02-1946 e o navio foi lançado à água a 27-07-1946 pelo Presidente da Republica António Óscar Fragoso Carmona. Entregue ao armador a 24-11-1947 e registado em Lisboa a 6-01-1948. Saiu de Lisboa na primeira viagem a 12-01-1948, para Leixões (13-01/ ) e Casablanca (21-01/ ), regressando ao Tejo a 1-02. Em 14-02 largou de Lisboa na primeira viagem a Cabo Verde e à Guiné. A 31-08-1950 teve a arqueação rectificada para 1.814 toneladas de arqueação bruta e 985 toneladas de arqueação líquida. Em 1959 o navio esteve fretado ao ministério do Exército para transporte de tropas e material de guerra (portaria nº 17.299 de 18-08-1959). A 10-12-1969 sofreu uma colisão com o navio holandês BOVENKERK (8.670 TAB/1960) no rio Elba, quando seguia viagem de Lisboa para Hamburgo, registando-se avarias graves a meio navio. Por escritura de 30-12-1971 foi vendido à Companhia Nacional de Navegação, de Lisboa, pela quantia de 3.780.000$00. A 3-01-1972 foi registado na capitania do porto de Lisboa (CPL) como propriedade da Companhia Nacional de Navegação, operando principalmente na carreira de Cabo Verde e Guiné. Por Despacho do Minsistro da Marinha Alm. Pereira Crespo datado de 30-10-1973 alterou o registo, de longo curso para a navegação de cabotagem. Novo registo na capitania do porto de Lisboa a 16-08-1976 permitiu novamente a sua classificação como navio de carga de longo curso, passando nesta data a ter o Nº oficial: I 481. Imobilizado em Lisboa a 28-02-1980, a venda do ANTÓNIO CARLOS foi autorizada pelo Secretário de Estado da Marinha Mercante em Despacho datado de 4-12-1980. Vendido em 23-01-1981 a Baptista & Irmãos, Limitada, pela quantia de 8.750.000$00. Registado uma última vez na CPL a 27-05-1981 por Baptista & Irmãos para efeitos de propriedade e demolição. O ANTÓNIO CARLOS foi desmantelado no Cais Novo de Alhos Vedros em 1981 e o seu registo cancelado a 17-12-1981 na sequência de informação da Delegação Marítima do Barreiro de 15-12 confirmando o desmantelamento do navio em Outubro desse ano.

Foto 1: O navio de carga ANTÓNIO CARLOS fotografado no Norte da Europa com as cores da Sociedade Geral (Imagem da Skyfotos – colecção de L. M. Correia). Foto 2: ANTÓNIO CARLOS atracado na doca de Alcântara em Abril de 1975, com as cores da Companhia Nacional de Navegação (Fotografia de L. M. Correia)

Tuesday, August 24, 2010

FUNCHALENSE 5 (2010- )


Navio motor porta-contentores construído de aço em 2008-10. Nº oficial: 9388390 (IMO); Indicativo de chamada: CSKN. Armador: ENM - Empresa de Navegação Madeirense, Lda., Funchal. Arqueação bruta: 7.580 toneladas; Arqueação líquida: 3.553 toneladas; Porte bruto: 8.700 toneladas; Deslocamento leve: 3.870 toneladas / máximo: 12.210 toneladas. Capacidade de carga: 3 porões; 724 TEUs, (245 TEUs nos porões, 479 TEUs sob o tombadilho) / 443 TEUs 14 Tons. Comprimento ff: 126,87 m; Comprimento pp: 119,54 m; Boca: 20,40 m; Pontal ao pavimento principal: 10,35 m; Calado máximo: 7,75 m. Máquina: 1 motor diesel Caterpillar-MAK modelo 8M43C, de 8 cilindros, com 9.790 BHP (7.202 kW), 1 hélice. Velocidade: 18,5 nós. Tripulantes: 12. Preço: €12.000.000
O porta-contentores FUNCHALENSE 5 foi construído em 2008-2010 no estaleiro Cassens Werft GmbH, em Emden, Alemanha (construção nº 30251), por encomenda do armador alemão Reederei Hinsch GmbH & Co. KG, de Buxtehude, Alemanha, com prazo de entrega previsto para 6-2008. Por se ter registado atraso no acabamento do navio o armador recusou a sua recepção em 7-2008 e este foi acabado em 03-2009 e em 7-2009 efectuou provas de mar com o nome PARITAS-H registado em St. John's, Antígua e Barbuda como propriedade da empresa Neubau 30251 Schiffahrts GmbH, sendo colocado à venda. Na sequência da recusa do navio, o estaleiro Cassens abriu falência e o PARITAS-H, apesar de avaliado em 19 milhões de euros foi posto à venda por um valor substancialmente inferior. A 27-04-2010 foi vendido e entregue à Empresa de Navegação Madeirense, Lda., e registado no Funchal com o nome FUNCHALENSE 5, permanecendo no estaleiro para instalação de 2 gruas de 40 toneladas. A 10-08-2010 saiu de Emden para Leixões (13 a 15-08) sob o comando do Capitão da Marinha Mercante Rui Quental. Iniciou a 15-08 a primeira viagem regular na linha Leixões – Caniçal – Porto Santo – Leixões tendo chegado ao Caniçal pela primeira vez a 16-08. A 17-08-2010 foi inaugurado pelo Presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. Alberto João Jardim, atracado ao cais de Porto Santo. Foi madrinha a menina Rebecca Maria Mankingen Sousa, filha mais nova do armador Dr. Luís Miguel Sousa.

MADEIRENSE 3 (2006- )

Navio motor porta-contentores construído de aço em 1996-97. Casco reforçado para navegação no gelo. Nº oficial: 9126467 (IMO); Indicativo de chamada: CSCC. Armador: ENM - Empresa de Navegação Madeirense, Lda., Funchal. Arqueação bruta: 5.712 toneladas; Arqueação líquida: 2.649 toneladas; Porte bruto: 6.918 toneladas; Deslocamento leve / máximo: 3.330 / 10.248 toneladas. Capacidade de carga: 3 porões; 603 TEUs, (168 TEUs nos porões, 435 TEUs sob o tombadilho). Comprimento ff: 122,55 m; Comprimento pp: 115,61 m; Boca: 19,40 m; Pontal ao pavimento principal: 9,10 m; Calado máximo: 6,85 m. Máquina: 1 motor diesel MAN B&W de 6 cilindros, com 8.565 BHP (6.300 kW), 1 hélice. Velocidade: 17,5 nós. Tripulantes: 12. Preço: €12.000.000
O casco do MADEIRENSE 3 foi construído em 1996 no estaleiro Selah Makina Sanayi ve Ticaret A.S., em Tuzla, Turquia, por encomenda do armador alemão Reederei Bernd Sibum GmbH & Co. KG, e rebocado para Bremerhaven em 05-1996. O acabamento foi efectuado no estaleiro Elbewerft Boizenburg GmbH (construção nº 235), em Boizenburg. O aprestamento final foi efectuado em Bremerhaven no estaleiro MWB Schiffbau GmbH & Co. K.G. e o navio foi entregue ao armador com o nome STEFAN SIBUM e registado em Haren/Ems, Alemanha, como propriedade da companhia m.s.”Stefan Sibum” Schiffahrts GmbH & Co. KG no ano de 1997. (Indicativo de chamada: DQUH). O STEFAN SIBUM manteve bandeira alemã até 2001, data em que, na sequência de um fretamento, alterou o nome para SEABORD RANGER e passou a estar registado em Antígua e Barbuda. (Indicativo de chamada: V2GA8). Em 2003 mudou o nome para CMA CGM TRINIDAD, voltando a chamar-se STEFAN SIBUM em 2004 por um curto período. Em 2004 registou um novo fretamento, por dois anos, à companhia francesa CMA CGM para servir de “feeder” nas Caraíbas, o que levou à mudança de designação para CMA CGM CARACAS. Em 04-2006 foi assinado um contrato de compra do navio pela Empresa de Navegação Madeirense, Lda., e este entrou em Viana do Castelo a 24-11-2006 para docagem e entrega. Passou a integrar a frota da Madeirense a 11-12-2006, sendo registado no Funchal com o nome MADEIRENSE 3. O navio saiu de Viana a 15-12 para Leixões (15-12), largando a 16-12 na primeira viagem ao Caniçal (18 a 19-12) e Porto Santo (19-12). No dia 19-12-2006 o MADEIRENSE 3 recebeu a visita do Presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. Alberto João Jardim, entidades oficiais e carregadores, atracado no Caniçal, sendo oferecido um beberete pela Administração da E. N. Madeirense. O MADEIRENSE 3 substituiu o FUNCHALENSE (IV) na carreira regular semanal Caniçal – Leixões, sendo o navio com maior capacidade de carga a integrar a frota da empresa desde a sua fundação em 1907. Na sequência da compra do novo porta-contentores FUNCHALENSE 5 que entrou ao serviço em Agosto de 2010, o MADEIRENSE 3 foi transferido da linha Leixões-Caniçal–Leixões para a carreira Leixões-Lisboa-Caniçal-Leixões (Box Lines) com escalas regulares em Lisboa às terças-feiras, no Caniçal às Quintas e em Leixões às Segundas-feiras, tendo iniciado este serviço a 23-08-2010 data em que saiu de Leixões para Lisboa (24-08).

Wednesday, March 31, 2010

MOÇAMEDES (1947-1973)

Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1946-1947. Nº oficial: G 487; Indicativo de chamada: CSAP. Arqueação bruta: 5.508 toneladas; Arqueação líquida: 3.295 toneladas; Porte bruto: 9.266 toneladas; Deslocamento máximo: 12.990 toneladas; Deslocamento leve: 3.724 toneladas. Capacidade de carga: 4 porões servidos por 5 escotilhas, com 15.098 m3, incluindo 114 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 137,60 m; Comprimento pp.: 130,39 m; Boca: 17,92 m; Pontal: 8,05 m; Calado: 7,93 m. Máquina: 1 motor diesel Doxford, com 4.850 bhp a 108 rpm; 1 hélice. Velocidade: 13,50 nós (14.50 nós vel. máx.). Passageiros: 12 em 8 camarotes. Tripulantes: 43. Navio gémeo: ROVUMA. Custo: 39.940.000$00.

O MOÇAMEDES foi construído em Sunderland, Inglaterra, por Bartram & Sons, Ltd. (construção nº. 315), para a Companhia Nacional de Navegação. O contrato de encomenda foi assinado a 25-10-1944. A quilha do MOÇAMEDES foi assente a 21-01-1946 tendo sido lançado à água a 26-09-1946 (madrinha Dª. Dora Taborda Ferreira) e entregue em 1-04-1947, em Sunderland, sendo seu primeiro comandante o capitão Frederico Freire.
Após entrega, o navio carregou em Glasgow (11 a 24-04), e chegou a Lisboa 27-04-1947, onde foi registado a 9-05-1947.
O MOÇAMEDES foi visitado pelo Presidente do Conselho, Oliveira Salazar e pelo Ministro da Marinha, Cte. Américo Thomaz a 10-05-1947; nessa data teve inicio a viagem inaugural a África, com escalas nos portos seguintes: Leixões, Funchal, Príncipe (onde se encontrou com o gémeo ROVUMA a 28-5), S. Tomé, Luanda, Lobito, Moçamedes, Lourenço Marques, Beira e Moçambique.
O MOÇAMEDES navegou ao serviço da Companhia Nacional de Navegação durante 26 anos, sendo utilizado principalmente nas linhas de África Ocidental (28 viagens), África Oriental (35 viagens), Índia Portuguesa (10 viagens). Fez 2 viagens aos Estados Unidos em 1947 e 1948. Em 1971 passou a ser utilizado na carreira Mediterrâneo – Portugal – Angola (8 viagens). Em Julho de 1973 largou de Lisboa pela última vez para a África Ocidental e Oriental, após o que carregou em Durban de onde saiu a 4-10 para Maizuru, no Japão. Vendido para sucata à empresa Chi Shun Hwa Steel Co. Ltd., chegou a Kaohsiung, Formosa, a 9-12-1973. Registo cancelado em 26-12.1973. Os trabalhos de demolição tiveram início a 28-03-1974.
Fotografias apresentando o navio com as cores originais e casco preto e com o casco cinzento na década de 1950 fotografado no canal da Mancha, quando utilizado na carreira Norte da Europa - Portugal - India Portuguesa.
Imagens da colecção Luís Miguel Correia - Texto original de L.M. Correia. Reservados direitos de reprodução.